O que é a GFA e por que ela existe?
- girlsfromabc
- há 3 dias
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Eu sempre fui uma pessoa que gostava de viver experiências de verdade. De sair, conhecer lugares, conversar, trocar, me sentir viva através das conexões. Só que, por muito tempo, eu senti que precisava sair da minha própria cidade pra viver isso. Eu moro em Diadema desde sempre, mas era em São Paulo que eu encontrava tudo aquilo que me despertava interesse. Era lá que as coisas aconteciam, onde estavam as pessoas, os ambientes, as possibilidades. E, sem perceber, eu fui me acostumando com a ideia de que talvez o problema fosse o lugar onde eu estava, como se viver algo diferente não fosse possível mais perto de mim.
Até que uma pergunta começou a me incomodar de verdade, daquelas que não vão embora fácil: por que não existe isso aqui? E mais do que isso, por que ninguém criou ainda? Não foi um plano estruturado, não foi uma decisão super estratégica. Foi quase um impulso, um incômodo que virou ação. No dia 5 de fevereiro, eu decidi criar um grupo. A ideia era simples, quase ingênua: reunir mulheres, criar alguns encontros, ver no que dava. Só que deu. Em poucos dias, já éramos mais de 300 mulheres. Hoje, em menos de dois meses, somos mais de mil, com eventos esgotando em minutos. E, às vezes, eu ainda paro e tento entender em que momento isso deixou de ser só uma ideia e se transformou em algo tão grande.
Mas a verdade é que a GFA não nasceu só de uma ideia, ela nasceu de um sentimento que eu carreguei por muito tempo, mesmo sem saber nomear direito. Eu sempre tive amigas, amigas de infância, da escola, da vida , mas crescer muda tudo de um jeito silencioso. Os caminhos começam a se desenhar de formas diferentes, os interesses mudam, as prioridades também. Algumas pessoas casam, outras têm filhos, outras entram em rotinas completamente diferentes, e, quando você percebe, já não se encaixa completamente em lugar nenhum.
Eu morei mais de cinco anos fora do país e, quando decidi voltar pro Brasil, esse sentimento ficou ainda mais evidente. Era como se eu estivesse vivendo na minha própria vida, mas deslocada dentro dela, como um peixe fora d’água tentando entender onde exatamente pertencia.
E o mais curioso é que isso não tem a ver com estar sozinha de fato. Eu tenho amigos, tenho família, tenho pessoas que amo profundamente. Mas ainda assim existia um espaço que não estava sendo preenchido, uma falta difícil de explicar, mas muito fácil de sentir. A falta de poder ser completamente eu, sem adaptações, sem filtros sutis, sem aquela necessidade quase automática de se ajustar ao que já esperam de você. Sentia falta de conversar sobre coisas que realmente me interessam, de me conectar com pessoas que vibram em uma frequência parecida, de poder me mostrar como eu sou quando me permito ser, não como os outros já estão acostumados a me ver.
Porque, muitas vezes, nas relações antigas, a gente acaba se moldando sem perceber. Não por obrigação, mas por história, por contexto, por tudo que já foi construído ali. E existe algo muito libertador em conhecer pessoas fora da sua bolha, onde você não precisa sustentar nenhuma versão anterior de si mesma. Você simplesmente chega e se apresenta como é, no agora. Com o tempo, eu fui percebendo que essa sensação não era só minha. Era uma dor silenciosa, muito presente principalmente em mulheres adultas, que já têm vida, responsabilidades, trajetórias, mas que sentem falta de conexão real. E, de certa forma, a internet intensificou isso. Antes, a gente usava a internet como um escape do mundo; hoje, muitas vezes, a gente precisa voltar pro mundo pra escapar da superficialidade da internet.
A GFA surgiu exatamente nesse espaço, entre o que falta e o que é possível criar. Sem pretensão, sem roteiro, mas com muita verdade. E talvez seja por isso que cresceu tão rápido, porque não é sobre mim, nunca foi. É sobre algo que já existia em muitas de nós, só estava sem nome, sem forma, sem lugar. Desde o primeiro dia, eu também entendi que isso não se constrói sozinha. Chamei a Loh pra estar comigo nessa jornada, e hoje ela é uma das bases que sustentam tudo isso. E, ao longo do caminho, outras mulheres foram chegando, apoiando, fortalecendo, criando junto, e me mostrando, o tempo todo, que isso aqui é coletivo, vivo, em construção constante.
Hoje, a GFA já é muito maior do que eu imaginei no começo, e ao mesmo tempo ainda está só começando. Porque o que eu quero construir vai além de encontros ou eventos. Eu quero criar um espaço onde uma mulher entra e sente que pode respirar, que pode baixar a guarda, que pode ser quem ela é sem medo de não caber. Um lugar onde ela se reconhece em outras histórias, onde ela entende que não precisa performar, nem se encaixar, nem se explicar o tempo todo. Um lugar onde existir já é suficiente.
Se eu tivesse que resumir a GFA em uma frase, seria que crescer sozinha é bom, mas crescer juntas é melhor ainda. E o meu sonho é que isso continue crescendo, ganhando estrutura, equipe, espaço físico, novos formatos, novas possibilidades, mas sem perder o que fez tudo começar: a verdade.
Porque, no fim, a GFA não é só uma comunidade. É um ponto de encontro pra quem, em algum momento, também sentiu que não pertencia, e decidiu, junto com outras mulheres, criar um lugar onde finalmente pudesse pertencer.

A GFA já é esse sucesso, porque você coloca o seu coração nesse projeto. Dá pra ver o seu carinho e a sua dedicação em tudo que você produz. Que alegria fazer parte de algo tão especial. Obrigada, Nath! 💖
Fiquei muito feliz quando soube do grupo e, agora, mais ainda ao conhecer a história por trás dele. Tenho certeza de que muitas mulheres, assim como eu, também já sentiram essa mesma necessidade de conexão e pertencimento. Iniciativas como a sua fazem toda a diferença na vida de tantas pessoas 💛
Que lindo esse relato! É exatamente assim que me sinto tbm!! Há uma semana achei o grupo pelo threads e estou amando a experiência, as conversas, falta só participar dos encontros pq ainda será difícil pq sou mãe e não tenho rede de apoio! Mas tem sido ótimo para espairecer a cabeça e trocar experiência!
Obrigada 🥰
Na correria do dia a dia, a gente acaba se afastando de algumas pessoas, de hábitos e até de nós mesmas.
Por isso, vejo esse grupo como uma oportunidade de criar novas conexões e trocar experiências.
Que bom que teve essa iniciativa 🌷
Muito feliz em fazer parte desse grupo ❤️
Obrigada pela iniciativa Nath